Linux vs. Windows 11: a virada silenciosa que está mudando o jogo no Brasil

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Outubro de 2025 marcou o fim de uma era. Com o encerramento do suporte ao Windows 10 pela Microsoft, milhões de usuários brasileiros se viram diante de uma escolha incômoda: comprar um PC novo para rodar o Windows 11 — ou finalmente dar uma chance ao Linux. E, ao que tudo indica, muita gente está escolhendo a segunda opção.

Os números de maio de 2026: Windows ainda domina, mas o Linux não para de crescer

O Windows 11 segue como o sistema favorito dos gamers, com 67,74% de preferência entre os jogadores da Steam, segundo dados da plataforma Última Ficha e do Hardware Survey da Steam (maio/2026). Contando todas as versões do Windows, o ecossistema da Microsoft ainda controla aproximadamente 93,47% do mercado gamer.

Mas o que chama atenção está do outro lado: o Linux alcançou entre 4,52% e 5,33% da base de usuários da Steam — um recorde histórico. Para ter uma ideia do que isso representa, há poucos anos o sistema mal chegava a 1% ou 2% nessa mesma pesquisa.

Parte expressiva desse crescimento vem do Steam Deck e de outros consoles portáteis que rodam SteamOS. No Brasil, o interesse por dispositivos que usam o HoloISO — sistema que replica a experiência do Steam Deck em PCs comuns — tem crescido consistentemente, conforme registrado por canais de referência como Diolinux e Adrenaline.

Por que o Linux está se tornando uma opção real para jogar?

1. O Proton quebrou a maior barreira do Linux para games

Durante anos, a falta de compatibilidade com jogos foi o principal argumento contra o Linux. Esse argumento perdeu força. Graças à camada de tradução Proton, desenvolvida pela Valve, cerca de 90% dos jogos disponíveis para Windows já rodam no Linux sem precisar de versões nativas. Títulos como CS2, Elden Ring e vários lançamentos de 2026 aparecem com classificação “Ouro” ou “Platina” no ProtonDB — o que significa experiência praticamente sem ressalvas.

2. Hardware antigo ganhou uma nova vida

O Windows 11 criou um problema real para muitos usuários: a exigência de chip TPM 2.0 e processadores de gerações mais recentes simplesmente excluiu PCs que ainda funcionam muito bem. Distros como Ubuntu 24.04 LTS e Pop!_OS viraram a saída para quem não quer — ou não pode — trocar de máquina só porque a Microsoft decidiu assim.

3. O próximo passo: Linux no mobile e em chips ARM

A Valve já testa o Steam Frame, plataforma voltada para rodar jogos de Android e sistemas ARM. Se der certo, isso deve aproximar ainda mais o kernel Linux do público que joga no celular — um mercado enorme no Brasil.

O elefante na sala: e a regulamentação brasileira?

Um debate recente gerou preocupação na comunidade: a nova regulamentação de segurança digital atrelada ao ECA Digital (também chamada de “Lei Felca”) levantou dúvidas sobre se sistemas de código aberto, como o Linux, conseguiriam implementar as travas de verificação de idade exigidas por lei.

A resposta, por enquanto, é tranquilizadora. Especialistas e portais como HostDime Brasil e TecMundo reforçaram que o Linux não será banido — mas desenvolvedores de distribuições menores podem enfrentar burocracia adicional para operar oficialmente no país. É um ponto que vale acompanhar de perto nos próximos meses.

O que isso significa para o bolso do brasileiro?

No fim das contas, o debate Linux vs. Windows 11 em 2026 tem um componente muito prático: dinheiro. O Windows 11 está forçando uma onda de trocas de hardware que o Linux simplesmente não exige. Em um cenário de custo de vida elevado, rodar um sistema moderno, gratuito e compatível com a maioria dos jogos em um PC de cinco ou seis anos é um argumento difícil de ignorar.

A virada pode não ter chegado ainda — mas ela está claramente a caminho.

Fontes consultadas: Última Ficha, Steam Hardware Survey (maio/2026), Blog do Edivaldo, Canaltech, Adrenaline, ProtonDB, HostDime Brasil, TecMundo, Diolinux.

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